2019/08/29 by Camila Rodrigues · 1 voice
Arts and Humanities · #Linguistics and Education Research #Linguistics and Language Studies
paper · pdf · doi:10.11606/issn.2316-9141.rh.2019.142156
openalex publication_date 2019/08/29 · openalex created_date 2025/10/10 · openalex updated_date 2026/07/02
Na segunda metade do século XX, o médico foniatra e escritor Pedro Bloch (1914-2004) publicou livros infantis e tratados sobre a voz e a fala de crianças. Bloch ouvia os pequenos e registrava suas interpretações do mundo, que soavam engraçadas. Neste artigo analisamos como fontes seus dois dicionários infantis (1998 e 2001), partindo da hipótese de que eles marcam o surgimento de uma nova posição da criança na cultura e na sociedade, na qual ela passa a exercer papel de interlocutora legítima. Metodologicamente nossa leitura se escora no ideário de autores como R. Darnton, J. Huizinga, R. Williams e, especialmente, da História cultural do humor de J. Bremmer e H. Roodenburg, que apostam na comicidade como chave para a compreensão de fenômenos históricos e culturais, o que concluímos ter ocorrido nesses volumes que consideram o posicionamento infantil e apontam a possibilidade de uma nova escrita da história da criança.