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A emergência da gramática brasileira de português para estrangeiros e a contribuição de Hermine W. Topker (1942)

2026/06/10 by Leandro Silveira de Araújo · 1 voice
Arts and Humanities · #Historical Linguistics and Language Studies #Linguistic research and analysis #Linguistic Education and Pedagogy

paper · pdf · doi:10.25189/2675-4916.2026.v7.n5.id955

openalex publication_date 2026/06/10 · openalex created_date 2026/06/12 · openalex updated_date 2026/06/17

Abstract

Este estudo investiga a produção brasileira de gramáticas destinadas ao ensino do português para estrangeiros (PLE), tomando como objeto central a obra pioneira A língua portuguesa para estrangeiros, de Hermine W. Topker, publicada em 1942. A escassez de pesquisas que visitam esse conjunto de obras sob uma perspectiva historiográfica constitui a principal motivação do trabalho, que busca compreender de que modo o pensamento linguístico neles mobilizado se distingue ou se articula aos modelos tradicionais de gramática. Os objetivos são: (i) descrever o processo de constituição, produção e circulação de gramáticas brasileiras de PLE e (ii) analisar a obra de Topker, situando-a no respectivo horizonte científico e pedagógico. O estudo fundamenta-se teórica e metodologicamente na gramaticografia, entendida como campo dedicado à investigação histórica do pensamento linguístico no interior das tradições gramaticais. Parte-se do pressuposto de que o fato historiográfico constitui um ato comunicativo complexo, passível de análise a partir do entrecruzamento de seus elementos constitutivos (emissor, destinatário, código, canal, contexto e mensagem). Metodologicamente, procede-se, em primeiro lugar, a uma contextualização da formalização do ensino de português como língua não materna no Brasil e de seus efeitos sobre a produção gramatical. Em seguida, desenvolve-se a análise da obra de Topker à luz desses parâmetros. Os resultados indicam que A língua portuguesa para estrangeiros inaugura a sistematização da gramatização brasileira de PLE, caracterizado por hibridismos entre modelos normativos consolidados e a incorporação pontual de traços do português brasileiro. Assim, a obra revela um descompasso com os avanços do pensamento linguístico do período científico e maior atenção às exigências pedagógicas que orientaram a produção gramatical voltada ao ensino.

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