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«Esto he o que eu tenho».

2025/11/17 by Barros S. Neitzel, Maria do Céu
Social Sciences · Arts and Humanities · #Historical Education and Society #Medieval and Early Modern Iberia #Medieval Iberian Studies

paper · doi:10.82564/revistabracaraaugusta.v73i133.31

Abstract

Este artigo examina a cultura material dos cónegos de Guimarães no final da Idade Média, a partir da análise dos testamentos de Gonçalo de Carvalhais, João Álvares e Pedro Afonso. A crise interna na Colegiada de Guimarães na segunda metade do século XV não impediu a continuidade do enriquecimento pessoal dos seus cónegos, permitindo a construção de um património cujo propósito ultrapassava o mero conforto pessoal. Consignada nos seus testamentos, a sua cultura material engloba preocupações com a validação social da posse material, o significado simbólico e o destino dos seus bens, permitindo aceder não só ao quotidiano material destes clérigos, como também às suas redes de sociabilidade e valores partilhados. Através de uma leitura cruzada entre os bens testamentários e as representações sociais e identitárias inscritas nesses gestos finais, este estudo examina como a materialidade, enquanto sistema integrado de objetos, práticas e significados, foi mobilizada pelos cónegos como estratégia de perpetuação memorial e projeção identitária para além da morte.

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