2026/01/01 by Gisele Dias de Freitas, Thiago Salomão de Azevedo, Anderson de Oliveira +6 · 1 voice
Biochemistry, Genetics and Molecular Biology · Agricultural and Biological Sciences · Earth and Planetary Sciences · #Venomous Animal Envenomation and Studies #Entomological Studies and Ecology #Marine Invertebrate Physiology and Ecology
paper · doi:10.1590/s2237-96222026v35e20250181.pt
openalex publication_date 2026/01/01 · openalex created_date 2026/05/26 · openalex updated_date 2026/06/11
Resumo Objetivo: Analisar os acidentes ofídicos ocorridos no Brasil entre 2010 e 2022 com foco sobre: características sociodemográficas das vítimas, gênero das serpentes envolvidas, sazonalidade, distribuição geográfica, grau de risco e relação com os biomas, através de um estudo descritivo baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação sobre acidentes causados por Bothrops, Crotalus, Lachesis e Elapidae. Métodos: Foram calculadas taxas de incidência, mortalidade e letalidade por gênero de serpente, idade e sexo. A análise espacial utilizou estatísticas bayesianas e o índice de Getis-Ord (Gi*) para identificar áreas de maior concentração de casos e classificar o risco regional (de muito baixo a muito alto). Resultados: Entre 2010 e 2022, foram registrados 329.269 acidentes ofídicos no país, com predominância dos casos botrópicos (70,6%). No mesmo período, ocorreram 1.514 óbitos, sendo 74,2% associados a acidentes botrópicos, 20,7% a crotálicos, 4,7% a laquéticos e 0,4% a elapídicos. Apesar da menor frequência, os acidentes crotálicos apresentaram a maior letalidade anual (0,1%). A maioria das vítimas eram homens (77,8%), pardos (58,4%), adultos (76,3%), com baixa escolaridade (48,0%) e residentes em áreas rurais (63,9%). Óbitos foram associados a atrasos no atendimento. Os acidentes botrópicos permaneceram estáveis, os crotálicos e elapídicos aumentaram, enquanto os laquéticos diminuíram. Os casos ocorreram majoritariamente entre outubro e março, exceto no Nordeste, entre dezembro e junho. Geograficamente, os padrões seguiram os biomas. Conclusão: Os resultados reforçam a necessidade de estratégias regionais específicas para vigilância, prevenção e manejo eficaz, fundamentadas nos padrões geográficos, sazonais e demográficos observados.