2026/01/01 by Marcos Moura, Natália Cristina Castelo Branco
paper · doi:10.4000/16lbz
Este artigo analisa a violência transfóbica como um fenômeno estrutural e transnacional a partir das experiências de travestis e mulheres trans brasileiras em mobilidade entre Brasil e Portugal. Com base em etnografia e netnografia realizadas em Lisboa entre 2021 e 2022, o estudo articula observação participante, entrevistas em profundidade e materiais digitais, com destaque para a trajetória de Júlia Maria, trabalhadora sexual trans brasileira em migração pendular entre o Brasil e a Europa. Argumenta-se que, embora as formas de violência variem entre a brutalidade letal mais recorrente no Brasil e práticas de estigmatização e exclusão em Portugal, tais experiências convergem para uma condição transnacional de precariedade, evidenciando tanto mecanismos persistentes de violência quanto estratégias cotidianas de resistência.