2025/10/02 by Martins, Mariana, Pereira, Ana, Amaral Silva, Marta +1
#Disfunção Erétil Neurogénica #Tratamento Farmacológico
paper · doi:10.25759/spmfr.474
A ereção é um evento primordial na função sexual do Homem, sendo particularmente enaltecida e valorizada nesta população. A função sexual satisfatória é, por conseguinte, um fator fulcral para a qualidade de vida. A disfunção erétil corresponde à incapacidade para atingir e/ou manter uma ereção suficientemente rígida para o desempenho sexual. Esta pode ter várias etiologias, e por isso, é transversal a várias especialidades médicas. Apesar de primordial, continua a ser uma área frequentemente subvalorizada/subtratada, pela dificuldade na sua abordagem, ainda usualmente considerada um “tabu” pela sociedade atual. A disfunção sexual, de etiologia neurológica, quer central quer periférica, integra-se frequentemente em contextos de patologias complexas, das quais resultam múltiplas sequelas neuro-motoras, cognitivo-comportamentais e funcionais, com repercussão na relação do doente e/ou casal. Pela sua importância, e fator contributivo na funcionalidade global do individuo e qualidade de vida, a função sexual deve ser valorizada pela equipa médica e parte integrante de uma abordagem holística do doente. Esta deve ter em conta múltiplos fatores intervenientes na função sexual, além da condição médica, e dos quais se destacam: o contexto biopsicossocial do individuo/casal, a vida sexual previa à lesão neurológica, crenças, religião e orientação sexual, comorbilidades associadas que culminem em lesão vascular/endotélio, medicação habitual que possa intervir na função sexual, e o impacto psicossocial da disfunção erétil neurogénica. Esta complexidade na abordagem e no tratamento da disfunção erétil neurogénica torna-a um verdadeiro desafio. O tratamento pode incluir uma abordagem farmacológica e não farmacológica, sendo que a informação e aconselhamento sobre a doença são estratégias essenciais. A terapêutica farmacológica é frequentemente incluída na abordagem médica desta patologia, e os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 têm sido, ao longos dos últimos 20 anos, os fármacos mais amplamente utilizados, pelo seu perfil de segurança e eficácia. O presente artigo tem como objetivo oferecer uma visão global sobre a etiopatogenia da disfunção erétil neurogénica, bem como a sua abordagem farmacológica.