2025/10/02 by Madureira, N., Carvalho, C., Pereira, A. +8
#Esclerodermia #Funcionalidade #Mão #Qualidade de Vida #Reabilitação
paper · doi:10.25759/spmfr.532
Introdução: A Esclerose Sistémica causa espessamento da pele, fenómeno de Raynaud, lesão visceral e alterações musculoesqueléticas. O comprometimento das mãos, que afeta cerca de 90% dos doentes, limita a mobilidade, destreza e força de preensão, impactando significativamente a vida quotidiana, com poucas opções de tratamento. Este estudo tem como objetivo caracterizar a função das mãos em doentes com esclerose sistémica e, secundariamente, descrever aqueles que realizam reabilitação e utilizam produtos de apoio. Material e métodos: Este estudo observacional transversal incluiu doentes com Esclerose Sistémica em acompanhamento no serviço de Reumatologia, cumprindo os critérios de Esclerose Sistémica do Colégio Americano de Reumatologia/Liga Europeia Contra o Reumatismo de 2013. Os dados sociodemográficos e clínicos foram recolhidos através de questionários anónimos. As exclusões basearam-se na incapacidade de contactar o doente, recusa em participar no estudo devido a custos de transporte e incompatibilidade com horários de trabalho. Os dados recolhidos incluíram idade, género, nível de escolaridade, situação profissional, subtipo da doença, envolvimento sistémico, duração dos sintomas e do diagnóstico. A realização de reabilitação da mão e a utilização de produtos de apoio foram avaliadas. Adicionalmente, a espessura da pele das mãos e dos dedos foi avaliada utilizando o Modified Rodnan Skin Score. A mobilidade das mãos foi avaliada através do Modified Hand Mobility in Scleroderma, e a força de preensão foi medida com o dinamómetro Jamar. O estado de incapacidade, a qualidade de vida e a função das mãos foram avaliados utilizando, respetivamente, o Health Assessment Questionnaire, o Medical Outcomes Short Form-36 e a Cochin Hand Functional Scale. Os dados foram analisados utilizando o software International Business Machines Corporation Statistical Package for the Social Sciences, versão 29 (International Business Machines Corporation, 2023). Foram realizadas estatísticas descritivas. Uma regressão linear para o valor da Cochin Hand Functional Scale incluiu variáveis marginalmente ou significativamente associadas na análise univariada, ajustada para vários fatores. Resultados: Participaram no estudo 32 doentes, com uma idade média de 58,0 anos, maioritariamente do sexo feminino (81,3%) e com Esclerose Sistémica Limitada (81,3%). Poucos utilizaram produtos de apoio (18,8%) ou realizaram reabilitação da mão (14,3%). A mediana da Cochin Hand Functional Scale foi de 5,0, com um terceiro quartil de 10,5, indicando baixo comprometimento funcional, sendo que apenas quatro doentes apresentaram uma pontuação E 25 nesta escala. O valor do Hamis esteve significativamente associado à Cochin Hand Functional Scale (R-quadrado ajustado = 0,80), explicando 80% da variabilidade. Conclusão: Este estudo destaca a necessidade de avaliação contínua da mobilidade e função das mãos, bem como a implementação de uma abordagem multidisciplinar na gestão dos doentes com esclerose sistémica.