2025/11/06 by Barreto, José
Arts and Humanities · Social Sciences · #Historical Education and Society #History, Culture, and Diplomacy #Jorge Coutinho #Media, Journalism, and Communication History #anarquismo #movimento dos trabalhadores rurais #revista libertária Lumen
paper · doi:10.31447/as00032573.198483.06
openalex publication_date 2025/11/06 · openalex created_date 2025/11/08 · openalex updated_date 2026/07/01
Publicam-se aqui dois textos caídos no esquecimento e de difícil acesso, escritos em 1911 para a revista libertária mensal Lumen. O seu autor, Jorge Coutinho, era ao tempo secretário-geral da Comissão Executiva do Congresso Sindicalista, órgão que funcionava como central dos sindicatos portugueses. O primeiro dos textos, intitulado «O despertar dos trabalhadores rurais», é um relato e uma análise do movimento dos trabalhadores rurais do Ribatejo, Estremadura e Alentejo, processo de lutas iniciado pouco após o 5 de Outubro e que se estendeu pelo ano de 1911 até 1912. Neste artigo, escrito em cima dos acontecimentos, o autor é levado a concluir que muito havia que esperar do movimento do proletariado rural, opinião que contrasta com o pessimismo que então lhe inspirava o operariado urbano, menos coeso e lutador. Como é sabido, contudo, aquele «despertar dos rurais» não teve seguimento, tanto por efeito da repressão republicana que sobre os trabalhadores se abateu, como pela desmobilização que entre estes era já evidente em 1912-13. O segundo texto de Jorge Coutinho aqui reproduzido, publicado sem título na rubrica «As minhas impressões» da mesma revista, é o relato de uma viagem do autor ao Baixo Alentejo em missão de propaganda, no final de 1911. Oito horas de comboio através do Sul do País são pretexto para uma rápida análise da situação dos trabalhadores, do sistema de cultura, da distribuição e do aproveitamento das terras alentejanas. Segue-se uma curta descrição dos locais visitados, seu isolamento e abandono, o comunitarismo do povo, o caciquismo, o (fraco) poder da Igreja. Tudo perpassado, tal como o texto anterior, por fortes marcas de anti-republicanismo e anticlericalismo - posições que, só por si, quase definiam o anarquismo desta época.