2020/11/17 by Christa Bruckner-Haring, Bruckner-Haring, Christa
Arts and Humanities · Social Sciences · #Radio, Podcasts, and Digital Media #Spanish Culture and Identity #Spanish Literature and Culture Studies
paper · doi:10.57885/rpmns.383
openalex publication_date 2020/11/17 · openalex created_date 2021/04/26 · openalex updated_date 2026/07/01
Desde a sua ascensão no último terço do século XIX, o bolero tem sido uma parte importante e definidora da identidade cultural em Cuba. Além de se ter disseminado pela América Latina, a partir da década de 1940, foi também o primeiro estilo vocal cubano a tornar-se um sucesso internacional, de que são exemplos muito conhecidos ‘Aquellos ojos verdes’ e ‘Quizás, quizás, quizás’. A versatilidade do bolero para assimilar elementos de outros géneros musicais facilitou a hibridização musical com o jazz. Em Espanha—onde tem marcado a paisagem sonora desde a década de 1940—o bolero cubano tem sido tocado e interpretado por vários músicos de jazz, misturando elementos tradicionais desse género musical com os do jazz. O objectivo central deste artigo é apresentar as características principais dos boleros escolhidos por músicos de jazz espanhóis, como o pianista de jazz Tete Montoliu e a cantora de uma geração mais jovem, Sílvia Pérez Cruz. Partindo das transcrições da autora deste artigo, foram desenvolvidas análises musicais aprofundadas da estrutura, ritmo, melodia e harmonia, no sentido de revelar elementos musicais inovadores das peças seleccionadas. As técnicas de análise aplicadas têm a sua origem na teoria musical clássica e foram metódica e terminologicamente alargadas para atender aos requisitos do idioma do jazz. Os resultados dessas análises mostram como Montoliu e Cruz combinam elementos do bolero cubano com o jazz, criando assim versões únicas deste género popular e intemporal.