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BAHA na reabilitação auditiva de doentes com otite média crónica colesteatomatosa

2025/09/13 by Guincho, Joana, Baptista, Luís, Sousa, Carlota +8
#Bone Anchored Hearing Aid #Otite média crónica colesteatomatosa #otorreia #qualidade de vida #reabilitação auditiva #surdez de condução #surdez mista

paper · doi:10.34631/sporl.3110

Abstract

Introdução: O tratamento da otite média crónica colesteatomatosa (OMCC) é cirúrgico e pode implicar a realização de uma mastoidectomia técnica aberta. A hipoacusia resultante da doença e/ou da sua remoção cirúrgica é tradicionalmente corrigida por timpanoplastia ou prótese auditiva convencional, mas existem outras opções nomeadamente o Bone Anchored Hearing Aid (BAHA). Objetivo: Avaliar os resultados funcionais e o impacto na qualidade de vida dos doentes com OMCC reabilitados com BAHA. Material e métodos: Foram incluídos todos os doentes com OMCC submetidos a reabilitação auditiva com BAHA em 2022 e 2023 num Centro Hospitalar Terciário. Foram recolhidos dados demográficos, intervenções cirúrgicas realizadas no contexto da OMCC, limiares tonais e vocais antes e após a implantação com BAHA, tipo de anestesia utilizada e complicações associadas ao procedimento. O impacto na qualidade de vida foi avaliado através da aplicação da Escala Nijmegen Cochlear Implant Questionnaire (NCIQ) validada para português europeu. Resultados: Oito doentes, 7 do sexo feminino, com idade média de 56 anos, foram reabilitados com BAHA unilateral (total 8 ouvidos), por surdez de condução (1 doente) ou do tipo misto (7 doentes). Todos os ouvidos reabilitados tinham sido submetidos a mastoidectomia técnica aberta para tratamento cirúrgico da OMCC. Todos os BAHA colocados foram do tipo percutâneo. Antes da implantação o limiar tonal médio dos 8 doentes foi de 87dB e o Rinne audiométrico médio de 45dB. A média pré-operatória do speech recognition threshold (SRT) foi de 69dB. Após a implantação os limiares tonais médios passaram para 38dB, com melhoria do limiar tonal médio de 49dB. A média do SRT pós-operatório foi de 32dB. Quatro doentes apresentaram alterações cutâneas, correspondendo aos graus 1 e 2 da classificação de Holgers. A média da satisfação global do NCIQ foi 79,36. Os subdomínios com melhor pontuação média foram o de produção da fala (86,25) e o de perceção avançada do som (84,9). O subdomínio de autoestima foi o que apresentou o valor médio mais baixo (66,48). Conclusão: A reabilitação auditiva com BAHA mostrou-se eficaz na melhoria dos limiares auditivos e da qualidade de vida dos doentes com OMCC submetidos a mastoidectomia técnica aberta, sendo uma opção válida na reabilitação auditiva destes doentes. Complicações cutâneas dos BAHA percutâneos são frequentes pelo que o cuidado e vigilância da pele na zona do pilar é essencial.

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