2025/11/17 by Gonçalves Ferreira, Luís
Arts and Humanities · Social Sciences · #Cultura Material #Cónegos Seculares de São João Evangelista #Early Modern Women Writers #Género #Historical and Cultural Archaeology Studies #History of Colonial Brazil #Indumentária e Traje #Inventários
paper · pdf · doi:10.82564/revistabracaraaugusta.v73i133.35
openalex publication_date 2025/11/17 · openalex created_date 2025/11/20 · openalex updated_date 2026/07/01
Este artigo indaga a indumentária dos cónegos seculares da congregação São João Evangelista de Vilar de Frades, durante a primeira metade do século XVIII, enquanto expressão de género e estatuto social. O problema central reside em compreender de que modo o vestuário desses clérigos comunicava valores espirituais, identitários e hierárquicos no contexto do Antigo Regime, confrontando os ideais carismáticos da congregação com as práticas materiais quotidianas. O objetivo principal é analisar as roupas e acessórios como instrumentos de representação da masculinidade clerical e de distinção social. A metodologia adotada é mista, baseada na análise de 22 inventários pós-morte que documentam 737 itens de indumentária, trabalhados com ferramentas qualitativas e quantitativas a partir da teoria do corpo socialmente vestido. Os resultados revelam que, apesar das normas de austeridade, os cónegos possuíam indumentária variada, ajustada às normas de civilidade e honra do Antigo Regime. A cultura da aparência refletia uma virilidade clerical distinta da nobreza, ancorada nas virtudes espirituais e funções sagradas. O hábito talar azul e branco e o grande número de camisas e acessórios, como barretes ou lenços, expressavam simultaneamente a obediência institucional e as estratégias individuais de distinção e honorabilidade nos espaços sociais marcados por ritualização e mediação simbólica.