2024/10/14 by Bragança, Francisca, Ribeiro, Bruno, Heitor Marques, João +6
Medicine · #Catarata Congénita #Criança #Extração de Catarata #Intraocular Surgery and Lenses #Ophthalmology and Visual Impairment Studies #Retinal and Macular Surgery
paper · doi:10.48560/rspo.38215
openalex publication_date 2024/10/14 · openalex created_date 2025/12/01 · openalex updated_date 2026/07/01
INTRODUÇÃO: A catarata congénita é considerada uma doença rara pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem diversas causas, incluindo mutações genéticas, infeções e distúrbios metabólicos. Apesar dos avanços na sua gestão cirúrgica, continua a existir o risco de complicações como ambiopia, estrabismo e glaucoma. Os resultados visuais dependem sobretudo do diagnóstico precoce, da idade à data da cirurgia e da adesão aos cuidados pós-operatórios. MÉTODOS: Estudo observacional retrospetivo incluindo doentes pediátricos submetidos a cirurgia de catarata congénita no Serviço de Oftalmologia da Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal, entre 2010 e 2023. RESULTADOS: Foram incluídos um total de 49 olhos (de 32 doentes) com catarata congénita operados em idade pediátrica. A maioria dos casos apresentava cataratas bilaterais (n=34; 69,4%) e a localização mais frequente foi posterior (n=22; 52,4%). A idade média à data da cirurgia foi de 3,55 anos (0,06–16,90) e havia história familiar positiva em 4 (12,5%) doentes. A lateralidade não teve impacto na idade à data da cirurgia (p=0,686). O implante primário de lente intracatalar (LIO) foi realizado em 71,4% (n=35) dos olhos, predominantemente em idades mais avançadas (5,81 (2,17-16,90) vs 0,30 (0,06-0,87); p<0,001). Doentes operados com mais de 1 ano de idade apresentaram uma melhor acuidade visual corrigida (AVC) final (p<0,001) e menores taxas de miopização ao longo do follow-up (p<0,001). Foi necessária capsulotomia posterior Nd:YAG em 91,7% (n=11) dos olhos não submetidos a vitrectomia anterior/capsulorrexis posterior primária (n=12), em média 4,04 anos após a cirurgia, e 4 olhos foram re-intervencionados. Cinco olhos foram diagnosticados com glaucoma (2 com persistência do vítreo primário hiperplástico), em média 0,25 anos após a cirurgia, sendo que 3 necessitaram de tratamento cirúrgico. Variáveis adicionais significativamente associadas a uma melhor AVC final foram a ausência de anomalias estruturais oculares e a presença de cataratas bilaterais. CONCLUSÃO: Estudar doenças raras como a catarata congénita é desafiante devido à natureza heterogênea dos casos da vida real. Por esta razão é essencial documentar as decisões terapêuticas e os resultados na prática clínica. A presença de cataratas bilaterais, operadas após o 1º ano de vida e a ausência de anomalias estruturais oculares estão associadas a uma melhor AVC final.