2025/10/10 by Gil, Maria de Fátima
paper · doi:10.13135/1594-378x/11168
A celebração do quinto centenário da primeira viagem de circum-navegação desencadeou, desde o início do século XXI, um renovado interesse por tal feito histórico e deu ensejo a novas oportunidades de conjugação da Literatura com a História. Como se sabe, o diálogo fluido e contínuo entre estes dois sistemas de representação tem dado origem a uma panóplia muito variada de géneros narrativos híbridos. Os textos de carácter biográfico que me proponho analisar são exemplos de tal hibridismo: se, por um lado, estão bem ancorados em dados históricos, por outro lado compõem a representação textual de Magalhães através de meios literários – e estes, que não se ficam apenas pelo nível do discurso, são muito diversos nas duas obras. O meu trabalho pretende evidenciar o diferente modo de construção da faction biográfica em ambas as narrativas, mostrando como a semantização das estruturas hibridizadoras contribui eficazmente para a preservação da figura e da aventura magalhânica na memória cultural do século XXI.